Retificando, ou melhor, completando...
...o meu poema "POESIA NÃO VENDE", fruto de um momento de pessimismo, aqui vai:
POESIA NÃO VENDE (2)
É fácil rir
fácil rolar na areia
fácil menear o rabo
para que os outros vejam
fácil sempre esperar o fim do mês
fácil ter dado a vida por engano?
Escrever como sempre
dia a dia
rompendo o coração, rompendo o véu
e não possuir nem mesmo
ao fim de tudo
algum futuro
e um quiosque de pastel...
... no entanto sou feliz.
Não queria ter feito nenhuma outra coisa.
Não quero outra mulher
senão a que nasceu da poesia.
Não quero outra cidade
que não seja imperfeita
nem praias nem montanhas
nem tamanhos
os ganhos ,
só ver ao fim de tudo
o quiosque de pastel
que dará de comer
ao meu noia barbudo...
- Renata Pallottini
- Nascida em São Paulo, em 20 de janeiro de 1931, cursou Direito, Filosofia e Dramaturgia. Escreveu e produziu trabalhos para teatro e televisão, entre os quais Vila Sésamo, Malu Mulher e Joana. Publicou livros de poesia, prosa, teatro e ensaios. Foi professora da Escola de Comunicações e Artes (ECA) e da Escola de Arte Dramática (EAD) da Universidade de São Paulo, além de ministrar cursos de dramaturgia no Brasil e no exterior. Desde 1988 faz parte do corpo docente da Escuela Internacional de Cine y Television de San Antonio de los Baños, em Cuba. Coordenou e participou da Anthologie de la poésie brésilienne, publicada em Paris, em 1998, e que reuniu quatro séculos de literatura brasileira. No mesmo ano, integrou o júri do Prêmio "Casa de las Américas", em Cuba. Vive em São Paulo e às vezes em Atibaia.
terça-feira, 23 de outubro de 2012
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Poesia não vende
POESIA NÃO VENDE
(A todos os companheiros)
Éfácil rir
fácil rolar na areia
fácil menear o rabo
para que os outros vejam
fácil sempre esperar o fim do mês
Fácil ter dado a vida por engano?
Escrever como sempre
dia a dia
rompendo o coração rompendo o véu
E não possuir nem mesmo
ao fim de tudo
algum futuro
e um quiosque de pastel.
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
e mais
E MAIS :
estarei dando um curso de Dramaturgia para Teatro e TV, na Escola de Comunicações e Artes, a partir do dia 16, às quintas feiras, de 14 às 17 hrs.
GRATIS ! Inscrições : www.cca.eca.usp/curso/pallottini/inscricao . Apareçam !
E MAIS AINDA !
ACABA DE SAIR A 2a.EDIÇÃO DE " DRAMATURGIA DE TELEVISÃO" pela Editora Perspectiva. Acheguem-se !
Beijins, nos vemos.
VOLTEI!
VOLTEI !
Pois é, pessoal, depois de todo esse tempo, voltei ! Com dois meses navegando rodeada de mil passageiros num barco espanhol, comendo e bebendo em espanhol , pensando sempre em português e sonhando com o que se pode escrever depois de uma travessia tão grande...
"... eles não sabem de nós
mas só nós sabemos deles..."
Isso é bom de pensar para quem supõe que os poetas não temos nenhuma importância. Pois temos !
" A vida é dura !
diz o avô
botando as mãos na cintura.
É verdade...
(diz a avó)
mas, ao menos,
ela dura... "
Ou, mais sério:
" Ataque para todos os lados
nunca se sabe
atire até onde a vista alcance
Recue se for necessário
porque mais vale a vida
Viver, de fato,
não está ficando mais dificil
Basta saber esgueirar-se
olhar para o chão esburacado
que pode provocar uma queda
e agir de acordo com os manuais.
E rezar para que o manual
fosse aquele mesmo... "
segunda-feira, 5 de março de 2012
novos poetas em mim...
NOVOS POETAS EM MIM...
A mim não me importa se disserem que Fernando Pessoa já fez isso há tempos, e muito melhor...É claro e ele tinha mais é obrigação de fazê-lo, visto que é POETA E MEIO, quando a gente já faz uma força enorme para chegar a ser poeta... Mas o assunto é o seguinte: tem um cara que está invadindo a minha imaginação: ele se identifica como o sambista Benedito Ernesto. É um tipo mais para o simples, impulsivo, intuitivo e conservador-popular, quase um preconceituoso. Me mandou uns poeminhas (ele só escreve coisa pequena) e um deles eu até publiquei, dando a ele uma colher de chá... Lá vai:
" A vida era bem mais simples
quando eu morava no morro:
homem era homem
mulher era mulher
cachorro era cachorro."
Outro :
"O bispo pede a paga
e diz que Deus resolve...
Prá mim, Deus não entrou nessa jogada.
Meu Deus não tem revólver."
Ou :
"Eles invadem a mata.
A miséria invade eles
e mata. "
Por fim :
" O banho da saíra
me lava a alma.
Vem o bem-te-vi, reclama
seu espaço de macho.
Quieto, eu saio de baixo... "
Benedito Ernesto é um folgado. E eu também, que viajo dia 14 para os mundos, e só volto daqui a dois meses. Até lá, divirtam-se e comportem-se ! Beijos, Renata
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
O BRADO RETUMBANTE
O que vale é que a TV ainda me surpreende; aparte os BBBs e outras lixeiras, encontramos de repente um trabalho respeitável como esse de Euclides Marinho e seus colaboradores : roteiristas auxiliares, diretores, técnicos, atores - todos impecáveis. Euclides teve a coragem de escolher um tema espinhoso, dificil e delicado. Enfrentou-o comno se deve, lança um ator sugestivo (Domingos Montagner), vale-se de outros pouco conhecidos, entre veteranos respeitáveis e, principalmente, escreve um texto que nos anima a suportar o horário incômodo. Fala do que seria a vida política do Brasil se fosse liderada por um grupo de seres humanos e de brasileiros que se respeitassem com um mínimo de dignidade e honradez. No que tange à criação dramática, não cai na armadilha fácil de criar um protagonista que fosse um anjo ; o personagem Paulo Ventura é intimamente conflituado, tem defeitos graves e fraquezas naturais. Trapaças e falcatruas são deslindadas, num esforço didático de por o espectador a par dos subterrâneos dos nossos vaticanos. Parabéns aos realizadores e um desejo enfático de que iniciativas do gênero voltem a aparecer na nossa televisão. E - por que não ? - parabéns também à TV Globo, que não amorteceu nem adoçou essa produção.
O que vale é que a TV ainda me surpreende; aparte os BBBs e outras lixeiras, encontramos de repente um trabalho respeitável como esse de Euclides Marinho e seus colaboradores : roteiristas auxiliares, diretores, técnicos, atores - todos impecáveis. Euclides teve a coragem de escolher um tema espinhoso, dificil e delicado. Enfrentou-o comno se deve, lança um ator sugestivo (Domingos Montagner), vale-se de outros pouco conhecidos, entre veteranos respeitáveis e, principalmente, escreve um texto que nos anima a suportar o horário incômodo. Fala do que seria a vida política do Brasil se fosse liderada por um grupo de seres humanos e de brasileiros que se respeitassem com um mínimo de dignidade e honradez. No que tange à criação dramática, não cai na armadilha fácil de criar um protagonista que fosse um anjo ; o personagem Paulo Ventura é intimamente conflituado, tem defeitos graves e fraquezas naturais. Trapaças e falcatruas são deslindadas, num esforço didático de por o espectador a par dos subterrâneos dos nossos vaticanos. Parabéns aos realizadores e um desejo enfático de que iniciativas do gênero voltem a aparecer na nossa televisão. E - por que não ? - parabéns também à TV Globo, que não amorteceu nem adoçou essa produção.
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Voltei! Um mês em Atibaia, tempo e espaço de passarinhos, árvores com frutas, plantas com flores, gente mais pausada, mais disponível... Meus bichos, minha matilha, Mostarda e Canela , e o pedaço de jardim onde estão os mais saudosos, Tristão e Nora. Mas o lindo mês de férias se foi e, agora, volto com prazer à minha cidade, minha desde a Maternidade São Paulo, na Frei Caneca, hoje fechada e perdida...Volto com prazer ao convívio de amigos e desconhecidos, do guarda na porta do Banco , que eu saúdo e me cumprimenta, dos vendedores das lojas que por alguma razão me reconhecem, dos vizinhos cálidos. Volto e me disponho a ver , na TV, a história da vida de minha querida Dercy Gonçalves, que eu tive a honra de conhecer pessoalmente. Tá bom, época e tudo o mais. Providenciam-se alguns carros velhos, algumas senhoras com cara de antigas, música do tempo. Tá bom, Heloisa Perissé é boa, Fafy também. Pena Fernando Eiras, meio perdidão, pena que eu, decididamente, não goste do Jorge Fernando como diretor de ator. Mas... por que será que M. Adelaide, minha amiga e dona de um talento único, não se permite aprofundar o que devia ser aprofundado ? Por exemplo, esse improvável casamento branco? Não seria dificil descobrir uma convincente verdade ou, pelo menos, lançar algumas hipóteses. Será que a verdade verdadeira não é, simplesmente, achar que telespectador não quer ou não merece nenhum tipo de profundidade? Que o nosso televidente se contenta com o superficial, o espetacular ou o simplesmente risível, aquilo que mais lhe dão? Basta que se passe em revista, por exemplo, os filmes que são programados nas noites de segunda-feira, pela TV Globo. Ou, nas férias do futebol, nas noites de quarta. Que é aquilo, cavalheiros ? Mas, voltando a Dercy, vou continuar vendo. E me comoveu pensar que, há oitenta anos, um médico recomendou a um doente dos pulmões tratamento em... ATIBAIA! A melhor qualidade de ar do mundo! (Pelo menos é o que dizem os nossos cartazes turísticos...) Tchau !
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
HÉCUBA- TEATRO VIVO
Gabriel Villela de novo se arrisca em equilibrismo, sem rede de proteção. Uma tragédia grega não é fácil em nenhum aspecto, e ele aceita o desafio. Conta com um belo grupo de técnicos e artistas que o auxiliam na difícil tarefa de conceber e executar máscaras, cenário, figurinos, adereços, luzes e, principalmente, música e cantores. Por último, e não menos importante, com uma esplêndida atriz, Walderez de Barros , para o papel título.
O resultado é um espetáculo de grande beleza, cheio de técnica e de demonstrações de habilidade em movimentos, sons, cenografia. Mas lhe falta sensibilidade, emoção, sentido. A tragédia não transparece, e uma tragédia é uma tragédia, e as gregas são as únicas que merecem esse nome. Não empatizamos com a grande sacrificada, a Rainha que se torna escrava e, por isso, não existe a catarse, a grande descarga emocional que nos purifica e pacifica.
Gabriel Villela é um dos maiores diretores brasileiros; não nega fogo, não foge ao perigo. Só por isso devemos respeitá-lo e apostar nele.
Gabriel Villela de novo se arrisca em equilibrismo, sem rede de proteção. Uma tragédia grega não é fácil em nenhum aspecto, e ele aceita o desafio. Conta com um belo grupo de técnicos e artistas que o auxiliam na difícil tarefa de conceber e executar máscaras, cenário, figurinos, adereços, luzes e, principalmente, música e cantores. Por último, e não menos importante, com uma esplêndida atriz, Walderez de Barros , para o papel título.
O resultado é um espetáculo de grande beleza, cheio de técnica e de demonstrações de habilidade em movimentos, sons, cenografia. Mas lhe falta sensibilidade, emoção, sentido. A tragédia não transparece, e uma tragédia é uma tragédia, e as gregas são as únicas que merecem esse nome. Não empatizamos com a grande sacrificada, a Rainha que se torna escrava e, por isso, não existe a catarse, a grande descarga emocional que nos purifica e pacifica.
Gabriel Villela é um dos maiores diretores brasileiros; não nega fogo, não foge ao perigo. Só por isso devemos respeitá-lo e apostar nele.
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Carlos Machado e ALGUMA POESIA
Finalmente, e em boa hora, Carlos Machado volta a editar seu "AlGUMA POESIA", publicação com a qual encantou, esclareceu, iluminou um punhado de amantes da Poesia, com reprodução da obra de famosos e iniciantes na Arte ; e mais, dá-nos sempre informações, esclarecimentos, ilustração do que é a sua matéria principal. Na sua volta, encarece a beleza de Rubem Braga, o mais poeta dos nossos cronistas e de Drummond que, graças aos céus, todos nós conhecemos. Aleluia, Carlos ! Fique sempre perto de nós !
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