Mais uma luta...
... existem as particulares e as universais. As primeiras são minhas contra a minha ignorância e os meus preconceitos ; as segundas são as que estou vendo nas ruas, pessoas (povo ? classe média? vândalos?) gritando contra um pacotão de injustiças. Que estão sendo, de um modo suspeito, satisfeitas pelos - ah ! políticos. Contra os quais vai um poema :
VIVA A VIDA
(grande coro parlamentar)
Se podemos comer
se podemos olhar-nos ao espelho sem rubor
se podemos guiar
de volta para casa a descansar
do calor
se podemos amar
se podemos beber
na beira da piscina ou a beira-mar
se podemos tragar e deglutir
sem dor a vossa dor
se podemos viver
de vestir, de comer
de o corpo confrontar e de o tratar
como uma grande flor
então, nossos irmãos ,
para que pensarmos nós
em vós
e na vossa voz?
Viva esta vida que herdamos
dos nossos avós !
- Renata Pallottini
- Nascida em São Paulo, em 20 de janeiro de 1931, cursou Direito, Filosofia e Dramaturgia. Escreveu e produziu trabalhos para teatro e televisão, entre os quais Vila Sésamo, Malu Mulher e Joana. Publicou livros de poesia, prosa, teatro e ensaios. Foi professora da Escola de Comunicações e Artes (ECA) e da Escola de Arte Dramática (EAD) da Universidade de São Paulo, além de ministrar cursos de dramaturgia no Brasil e no exterior. Desde 1988 faz parte do corpo docente da Escuela Internacional de Cine y Television de San Antonio de los Baños, em Cuba. Coordenou e participou da Anthologie de la poésie brésilienne, publicada em Paris, em 1998, e que reuniu quatro séculos de literatura brasileira. No mesmo ano, integrou o júri do Prêmio "Casa de las Américas", em Cuba. Vive em São Paulo e às vezes em Atibaia.
segunda-feira, 1 de julho de 2013
quarta-feira, 5 de junho de 2013
Anarquismo pessoal e muitas regras
Anarquismo pessoal e o respeito às regras...
Há muito tempo já que me descobri anarquista/pacifista; ou seja, uma participante da ideologia da liberdade pessoal, do humano acima de tudo, do repúdio à agressão, do internacionalismo, do amor e do desamor livres e, por consequência, da aceitação só de um mínimo de regras indispensáveis ao convívio fraterno entre pessoas.Sei bem que não se pode viver em conjunto sem esse mínimo: respeito à vida do semelhante (e até do diferente - aí incluídos animais ) , respeito à propriedade alheia , sem idolatria à propriedade em si, respeito ao amor e, finalmente, respeito formalizado pelos próprios seres humanos em regras comezinhas de bem-viver - o sinal fechado, o lugar na fila, o lixo no cesto.
Vivo em uma cidade grande, muito grande até; tenho para meu uso um automóvel e sigo as leis de trânsito; sem elas seria difícil transitar em São Paulo, virar uma esquina, atravessar a rua.
Existem , no entanto, nesse conjunto de normas estabelecidas para se transitar na cidade, algumas que não me convencem: a principal delas, entre as mais não-convincentes é a que nos obriga ao uso de cinto-de-segurança .
O uso do cinto me protege, a mim . Ele evita , teoricamente, que eu seja lançada contra o para-brisas em caso de colisão, e seja ferida ou morta. Seja eu ferida ou morta, ou salva pelo cinto, isso não irá interferir , creio eu, na sorte de ninguém mais. Claro, um ferimento ou morte em trânsito desencadeia um procedimento de socorro, com polícia, ambulâncias, pessoal. Tempo, dinheiro, congestionamento. É isso? Se eu não cuidar de mim mesma estarei desencadeando um processo que custa dinheiro ao Estado ?
Então é isso? E em vista disso, devo eu ser multada , ou seja, pagar em dinheiro meu, fruto do meu trabalho para que o Estado não gaste o seu dinheiro (que, aliás, acaba por ser meu também ?).
Fui multada, nos últimos dias, por duas vezes, por ter esquecido de usar o cinto. Errei? Segundo as regras vigentes, sim. Segundo o meu próprio raciocínio , esta é uma das leis inócuas, feitas para recolher mais dinheiro aos chamados cofres públicos.
Será que eu tenho razão?
Me ajudem, sim? Digam alguma coisa a esta anarquista e rebelde.
Espero.
quarta-feira, 22 de maio de 2013
Voltei e revoltei !
Voltei e Revoltei !
Pois é, depois de um longo e glorioso verão, consegui vencer as dificuldades para garantir que eu era eu aos responsáveis por esta. AQUI ESTOU ! De fato, até mesmo depois de um mês em La Habana, Cuba, com extensão em Varadero e Santiago (de Cuba). Reencontro a Ilha de Cubanacan luminosa, tépida, com poucos automóveis e muita rumba, no Habana Libre de sempre, decadente, agradável, cheio de amigos e mojitos. Vão me perguntar, como sempre acontece, como está Cuba? E direi que esperneando, semi-destruída e semi-acreditando, o povo pobre, cantando e movendo a cintura. Algumas melhoras; o cubano pode vender legalmente sua casa e/ou seu automóvel em mau estado; pode sair de Cuba se tiver dinheiro para pagar a passagem e dizer onde está e voltar em paz. Pode receber maiores quantias dos parentes em La Florida (também conhecida como Flórida). Algumas pioras: muita dependência da Venezuela, em termos de petróleo e outras; salário insuficiente dos seus trabalhadores; censura e noticiário corrigido como sempre. Pouca liberdade e muito boa-vontade. Minha, especialmente. Meus amigos morrendo, novos amigos nascendo, pássaros voando e cantando, caranguejos minúsculos e lindas lagostas (desculpem o mau-gosto.) Rum de primeira como sempre e charutos para quem gosta ou apenas para quem lhe sente o olor.
Olor a Cuba
que me duele
como siempre.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
HOJE
Mais uma luta...
... existem as particulares e as universais. As primeiras são minhas contra a minha ignorância e os meus preconceitos ; as segundas são as que estou vendo nas ruas, pessoas (povo ? classe média? vândalos?) gritando contra um pacotão de injustiças. Que estão sendo, de um modo suspeito, satisfeitas pelos - ah ! políticos. Contra os quais vai um poema :
VIVA A VIDA
(grande coro parlamentar)
Se podemos comer
se podemos olhar-nos ao espelho sem rubor
se podemos guiar
de volta para casa a descansar
do calor
se podemos amar
se podemos beber
na beira da piscina ou a beira-mar
se podemos tragar e deglutir
sem dor a vossa dor
se podemos viver
de vestir, de comer
de o corpo confrontar e de o tratar
como uma grande flor
então, nossos irmãos ,
para que pensarmos nós
em vós
e na vossa voz?
Viva esta vida que herdamos
dos nossos avós !
... existem as particulares e as universais. As primeiras são minhas contra a minha ignorância e os meus preconceitos ; as segundas são as que estou vendo nas ruas, pessoas (povo ? classe média? vândalos?) gritando contra um pacotão de injustiças. Que estão sendo, de um modo suspeito, satisfeitas pelos - ah ! políticos. Contra os quais vai um poema :
VIVA A VIDA
(grande coro parlamentar)
Se podemos comer
se podemos olhar-nos ao espelho sem rubor
se podemos guiar
de volta para casa a descansar
do calor
se podemos amar
se podemos beber
na beira da piscina ou a beira-mar
se podemos tragar e deglutir
sem dor a vossa dor
se podemos viver
de vestir, de comer
de o corpo confrontar e de o tratar
como uma grande flor
então, nossos irmãos ,
para que pensarmos nós
em vós
e na vossa voz?
Viva esta vida que herdamos
dos nossos avós !
regresso e ... ordem e progresso
REGRESSO E... ORDEM E PROGRESSO
Volto de férias e de um mês no mato, ouvindo passarinho, escrevendo um romance, repensando a vida e agradecendo as bençãos. Bem de saúde e de esperança. Mas atenta aos que sucede.
Recebo de amigas/correspondentes catalãs, Elvira e Carmen,
um texto transmitido por internet e que conta, através um vídeo falado,
acompanhado de graciosas e
sugestivas ilustrações, o caminho empreendido por Dínac , cidadão de vinte
anos, da respeitável Catalunha, de seu
país ao Brasil, há três meses, para
buscar e encontrar finalmente, membros da tribo guarani-kayowa que foram
desalojados de sua terra natal, no Mato Grosso, por pseudo-proprietários,
naturalmente posseiros, invasores, enfim pessoas amparadas pela força; aqueles
indígenas buscam, de todas as maneiras possíveis, recuperar as
terras que foram de seus antecessores.
Dínac pede que se divulgue a história de sua luta; não pede mais do que isso, nem doações, nem
firmas, apenas a divulgação da injustiça e da arbitrariedade.
Além de fazê-lo, ou seja, de divulgar o fato da melhor
maneira que me é possível , queria dizer
a Dínac e às minhas amigas que :
1. Meu
país, o Brasil, é governado por uma pessoa que pertence a um partido o qual,
recentemente, foi acusado, com provas, de corromper com dinheiro
indivíduos que detinham poder para
facilitar a permanência, no mais alto posto do governo, do partido em questão;
2. O
Presidente do Senado do meu país é um senhor cujo estado natal é o mais pobre
da nação, embora esse senhor seja – com sua família – o mais poderoso e rico do
mesmo estado;
3. No
meu país, pessoas condenadas a prisão por crimes entre os quais está o de apropriar-se de dinheiro público, são
empossadas como titulares pela Câmara de Deputados da nação.
Tendo isto em vista, não me espanta que a terra dos
índios esteja sendo tomada por posseiros, “grileiros” e malfeitores em
geral.
terça-feira, 20 de novembro de 2012
hoje, um dia feliz
HOJE, UM DIA FELIZ:
feliz porque hoje, dia 20 de novembro, às 20 hrs., no Teatro Sergio Cardoso, São Paulo, estreia um espetáculo teatral baseado na poesia de "Chocolate Amargo", meu livro publicado há alguns anos, e que Pedro Vieira, meu amigo, produtor, diretor, entusiasta do teatro, resolveu montar. Como será que vai ser, não sei. Espero tudo, e tudo com muita alegria; todos nós sabemos que, como disse Pedro Hertz num momento de estranha luminosidade, "poesia não vende". Mas quem sabe Teatro chama?
E chama porque é chama ? (Ih, creio que extrapolei, me perdoem). Mas o importante é que estou feliz! E vos concito a ficar felizes, todos ! "Ficar" ou "ficarem" ? Socorro, Pasquale ! Outro beijo.
terça-feira, 23 de outubro de 2012
Retificando...ou melhor, completando
Retificando, ou melhor, completando...
...o meu poema "POESIA NÃO VENDE", fruto de um momento de pessimismo, aqui vai:
POESIA NÃO VENDE (2)
É fácil rir
fácil rolar na areia
fácil menear o rabo
para que os outros vejam
fácil sempre esperar o fim do mês
fácil ter dado a vida por engano?
Escrever como sempre
dia a dia
rompendo o coração, rompendo o véu
e não possuir nem mesmo
ao fim de tudo
algum futuro
e um quiosque de pastel...
... no entanto sou feliz.
Não queria ter feito nenhuma outra coisa.
Não quero outra mulher
senão a que nasceu da poesia.
Não quero outra cidade
que não seja imperfeita
nem praias nem montanhas
nem tamanhos
os ganhos ,
só ver ao fim de tudo
o quiosque de pastel
que dará de comer
ao meu noia barbudo...
...o meu poema "POESIA NÃO VENDE", fruto de um momento de pessimismo, aqui vai:
POESIA NÃO VENDE (2)
É fácil rir
fácil rolar na areia
fácil menear o rabo
para que os outros vejam
fácil sempre esperar o fim do mês
fácil ter dado a vida por engano?
Escrever como sempre
dia a dia
rompendo o coração, rompendo o véu
e não possuir nem mesmo
ao fim de tudo
algum futuro
e um quiosque de pastel...
... no entanto sou feliz.
Não queria ter feito nenhuma outra coisa.
Não quero outra mulher
senão a que nasceu da poesia.
Não quero outra cidade
que não seja imperfeita
nem praias nem montanhas
nem tamanhos
os ganhos ,
só ver ao fim de tudo
o quiosque de pastel
que dará de comer
ao meu noia barbudo...
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Poesia não vende
POESIA NÃO VENDE
(A todos os companheiros)
Éfácil rir
fácil rolar na areia
fácil menear o rabo
para que os outros vejam
fácil sempre esperar o fim do mês
Fácil ter dado a vida por engano?
Escrever como sempre
dia a dia
rompendo o coração rompendo o véu
E não possuir nem mesmo
ao fim de tudo
algum futuro
e um quiosque de pastel.
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
e mais
E MAIS :
estarei dando um curso de Dramaturgia para Teatro e TV, na Escola de Comunicações e Artes, a partir do dia 16, às quintas feiras, de 14 às 17 hrs.
GRATIS ! Inscrições : www.cca.eca.usp/curso/pallottini/inscricao . Apareçam !
E MAIS AINDA !
ACABA DE SAIR A 2a.EDIÇÃO DE " DRAMATURGIA DE TELEVISÃO" pela Editora Perspectiva. Acheguem-se !
Beijins, nos vemos.
VOLTEI!
VOLTEI !
Pois é, pessoal, depois de todo esse tempo, voltei ! Com dois meses navegando rodeada de mil passageiros num barco espanhol, comendo e bebendo em espanhol , pensando sempre em português e sonhando com o que se pode escrever depois de uma travessia tão grande...
"... eles não sabem de nós
mas só nós sabemos deles..."
Isso é bom de pensar para quem supõe que os poetas não temos nenhuma importância. Pois temos !
" A vida é dura !
diz o avô
botando as mãos na cintura.
É verdade...
(diz a avó)
mas, ao menos,
ela dura... "
Ou, mais sério:
" Ataque para todos os lados
nunca se sabe
atire até onde a vista alcance
Recue se for necessário
porque mais vale a vida
Viver, de fato,
não está ficando mais dificil
Basta saber esgueirar-se
olhar para o chão esburacado
que pode provocar uma queda
e agir de acordo com os manuais.
E rezar para que o manual
fosse aquele mesmo... "
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